Balanço do Primeiro Mês na Paris

Eu acredito que decidi escrever este balanço do primeiro mês principalmente como ferramenta para me auto-situar nesta zorra toda. Eu tenho muito claro que esta sendo incrivel ver todo aquele planejamento na planilha de excel se tornando realidade (o euro a 5 reais esta sendo um golpe dificil de lidar, mas segue o baile), mas tem também muita adaptação, sim, senhor! Com o lado divertido das descobertas e curiosidades e também a parte que a Globo não mostra de se remoldar.

Tem tanta coisa nova acontecendo ao mesmo tempo que as vezes é dificil realmente reparar nelas enquanto se pilota. Inclusive, na minha cabeça, como minhas atividades do momento se resumem ao curso de francês pela manhã, achei que meu dia duraria 72h e qual não é a minha surpresa por sempre estar dizendo para o Fred: cê ta de sacanagem que ja são 21h!!

Então, vamos começar pelo o que, até então, era o meu referencial de morar fora: um semestre da faculdade em Madrid em 2010/2011. Te falar que esse intercâmbio foi um divisor de aguas para mim, mas eu não tenho conseguido relacionar/endereçar nele questões que eu vivo agora, o que eu achei que seria possivel.

Isso por varios fatores: (i) os meus dilemas de antes eram completamente outros (por exemplo, hoje uma das minhas principais questões é não estar trabalhando, que apesar de racionalmente endereçada as vezes emocionalmente pega); (ii) em Madrid eu morava com brasileiros e meu outro principal nucleo era alemão, então, não falar espanhol não era um super problema, enquanto que aqui, eu me sinto mais inserida na vida francesa (o que é otimo e aterrorizador quase que na mesma medida): (iii) desta vez não tem uma passagem de volta para o Brasil comprada, enquanto que no intercâmbio eu sabia precisamente quando ele começava e quando ele terminava.

Agora, quando eu cheguei em Madrid (imagine que tinha sido a minha primeira vez num avião), eu fiquei sentada no chão do apê (com aquela sensação de subindo e descendo do avião) me perguntando o que diabos eu estava fazendo ali, que ideia ruim tinha sido aquela, enquanto que, em Paris, eu sinto que eu estou exatamente onde eu deveria estar.

O que é bem louco é que como o começo é cheio de novidade, burocra para resolver, coisa para fazer, a ficha da mudança não caiu 100% ainda (uma amiga disse que a dela levou uns 3 meses). Como eu disse no começo, ta tudo muito bom, ta tudo muito bem, mas é adaptação, atras de adaptação, 24/7.

Por exemplo, eu sei que no Brasil nos temos um milhão de realidades, mas na minha, eu nunca tive que participar das tarefas de cuidado da casa e eu mal pegava transporte publico nesses ultimos anos (Juliana-estudante na Central do Brasil – que pegava ônibus as 6h da manhã acha dificilimo acreditar nisso), sendo uma heavy user de Uber. Tudo isso esta sendo subvertido aqui. Me peguei pensando outro dia se eu estava vivendo ou apenas lavando louça.

Olha, se você é um sub-adulto como eu, vou te dar o spoiler de que casa da muito trabalho e se você não cozinhar, você não come! Assim, na verdade, Fredericco até se encarrega do jantar, mas nessa semana eu fiquei em casa na hora do almoço e eu não estou usando do recurso da hipérbole quando eu digo que não sei cozinhar (apenas para ilustrar, eu nunca fiz um ovo). Até o rapaz me ensinar como fazer um macarrão, meu almoço estava sendo um kiwi (que me descobri pseudo-alergica) e uns crutons. Eu ja morei sozinha outras vezes, mas num contexto que me permitia a folga de não precisar me enteirar tanto assim das atividades do lar e que eu podia jantar pão de queijo todos os dias, então, estamos falando de um mês em que eu ja to aprendendo muita coisa, mas tem sido (fisicamente) cansativo.

Vamos falar agora das amadas roupinhas? Trago a informação de que os apês aqui são bem pitucos quando comparados a média no Brasil. Some a isso que eu e o boy dividimos os espaços no armario, portanto, de saida, vendi metade das minhas roupas ai no Brasil antes de vir (inclusive, tem algumas coisitchas ainda a venda num instagram que eu criei com esse proposito @bazardaju89). Eu trouxe o equivalente a 5 malas e Fredericco estava preocupadissimo sobre como eu faria para caber (“eu não posso empurrar as paredes” foi a frase mais ouvida no mês que antecedeu a minha chegada), mal sabia o rapaz que eu tenho anos jogando Tetris e fiz tudo caber com maestria. Serio, as vezes eu me pego olhando com carinho para o armario. Contudo, ele tem um ponto: com exceção de umas coisas que eu comprei para os dezembros e fevereiros que passei aqui, meu guarda roupa é composto por verão rigoroso e verão ameno.

Outro treco é que minhas roupas nunca precisaram ser funcionais, apenas bonitas, principalmente os meus tão amados pares de sapato. Portanto, eu tenho tido que pensar numas coisas antes de me vestir que antes eu não precisava, porque eu não andava tanto, não ficava tantas horas na rua, etc.

Para terminar esse primeiro post (aceito sugestões de temas especificos para proximos), deixa eu falar que francês é uma lingua dificil para caramba. “Mas, Juliana, ele é muito parecido com o português!” Exatamente, meu caro copo meio cheio, é uma lingua tinhosa para caramba, com 27 exceções para cada regra e que eu não aprendi a falar desde o berço. E eu sou muito afrontosa e me mudei para ca no nivel mais iniciante possivel, agora, até posso dizer que ja entendo muita coisa quando eles falam (o que me faz ficar mentalmente cansada o tempo todo, porque minha cabeça ainda traduz tudo, logo, é o dobro do trabalho), agora, quando o holofote vem para mim e eu tenho que falar, eu atinjo o branco profundo do não pensamento, é bem mara. Na minha primeira semana de aula foi super esquisito porque o meu inglês ficou mega confuso ao passo que o francês beirava o inexistente, foi bastante desafiador  ter a linguagem corporal como principal instrumento de comunicação, mas sobrevivi.

Deixo aqui uma ultima reflexão: de todas as coisas que ja fiz por amor, sem duvida a mais desafiadora é escrever num teclado QWERTY. Mermã, nenhuma das teclas estão onde deveriam estar, a nação toda desistiu de acentos agudos. Ou seja, fica aqui o meu sincero pedido de desculpas pelos typos.

10 comentários

  1. Adorei o texto Ju!! Acho que é isso mesmo, adaptação atrás de adaptação!
    Quando me mudei pra SP senti bem o que vc quis dizer, só que sem a questão da língua! Morei no Canadá um tempo, mas é o que vc falou, tinha o tempo certo pra acabar.
    Boa sorte nessa nova jornada!!

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  2. Juliana estou enfrentando os mesmos desafios! Kkkk Me mudei para cá a 2 meses e me identifiquei demais com seu post!😂 boa sorte para nós nessa jornada😊

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  3. Ju, comecei a te acompanhar pelo insta por conta dos looks e ta sendo bem legal acompanhar essa fase de vivência em um outro país.
    Estou com planos de me mudar também, principalmente porque meu namorado
    mora na Italia.
    Queria saber um pouco da sua experiencia, você se mudou por causa do boy? Largou seu trabalho no Brasil para estudar francês?
    Desculpe se estou sendo invasiva… vivo essas dúvidas e seu caso parece ser inspirador!!

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    1. Zero invasiva, querida!
      Seguinte: nos namoramos dois anos e alguma coisa a distancia e sempre soubemos que alguem ia ter que mudar. Como eu sou advogada e é dificil trabalhar fora do Brasil, tudo sempre indicou que seria ele quem mudaria. No meio do caminho tivemos algumas alterações de cenario e começamos a pensar se não seria factivel que eu me mudasse, so que, para mim; a conta nao fecharia se eu me mudasse exclusivamente por ele; entao, eu comecei a pensar num plano para mim na França. Nisso; eu encontrei um LLM em direito na Sorbonne, passei e aqui estou.
      Se eu estou em posiçao de dar conselho seria: (i) construa um plano para você na mudança, encarar 100% por conta da relaçao coloca um peso enorme sobre ela; (ii) desenhe muito bem o seu “business plan” antes, saiba exatamente quanto dinheiro voce consegue fazer antes de se mudar, mapeie seus maiores gastos para a mudança e tenha um dialogo muito aberto com o boy sobre em que condiçao você esta se mudando e como vocês vao fazer para organizar as coisas nos primeiros meses.
      Qualquer questao, so escrever!

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