Roteiro Cuba (parte 01)

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Como eu falei no post Viajando sozinha, desde de adolescente eu queria ir para Cuba, mas vários fatores sempre ficavam adiando o sonho, sendo o principal o fato da passagem ser caríssima (R$ 4 mil, não importando a antecedência com que eu reservasse). Então, quando recebi o aviso de uma promoção – passagem saindo por volta de R$2 mil – não pensei duas vezes e reservei.

Eu chegaria sábado a noite e voltaria no domingo seguinte de tarde, logo, uma vez que eu já tinha as passagens, me restava decidir qual seria o meu roteiro interno. O coração queria conhecer vários lugares, contudo, a razão (estar viajando sozinha/lugar com pouquíssimo acesso à internet) e o tempo que eu teria por lá me fizeram reavaliar. Sendo assim, eu fiquei o grosso do período em Havana, fiz um bate volta para Cayo Largo e passei dois dias em Varadero.

Então, para organizar as ideias melhor, vou separar o roteiro em duas partes: hoje falamos de Havana e na próxima parte sobre Cayo Largo, Varadero e informações em geral, fechou?

Havana

Estadia

Primeira coisa que eu sabia era que eu não tinha a menor intenção de ficar num hotel, eu queria ficar no tipo de hospedagem conhecida como Casas Particulares, que significa ficar com uma família cubana que tem autorização para alugar quartos.

Meu plano inicial era nos três primeiros dias em uma localizada em Habana Vieja e nos últimos três, depois de voltar de Varadero, ficar no Malecón. Todavia, em razão de (i) ter ficado perdidamente apaixonada pela minha família em Habana Vieja; e (ii) considerar Malecón mais distante dos programas do dia-a-dia que eu gostava mais de fazer, eu acabei desenrolando com a família de Habana Vieja de ficar com eles e cancelei Malecón.

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O site em que eu encontrei as duas Casas Particulares se chama homestay.com, todavia, para Cuba, ele serve apenas para entrar em contato com a família, não sendo possível pagar pelo site, é necessário pagar em dinheiro quando se chega na casa.

Eu não sei se eu dei uma sorte brutal com a minha família, mas eles eram os mais atenciosos e amigáveis possível, eles realmente dedicavam um tempinho para mim todos os dias, tentavam me incluir o máximo possível na rotina deles. Por exemplo, como todo mundo em Havana achava que eu era cubana – alemães me pediam orientação a cada 20 min -, um dia de noite eles me levaram na Fortaleza de San Carlos de La Cabaña para assistir o canhonazo de las nueve (bem legal) como parte da família mesmo. Além disso, com eles, andei nos taxis da forma cubana (funciona como um uber pool infinito e se paga MUITO mais barato). Ou seja, eles foram mais do que fundamentais para a minha experiência.

 Programas

Uma das coisas mais sensacionais em Havana é a sensação de ter voltado no tempo: os carros antiguíssimos (mas com motores super trabalhados) e as construções são elementos fundamentais. Além disso, o tempo parece passar de forma diferente por lá, seja porque se tem um acesso à internet muito pontual seja porque as pessoas lá têm um ritmo de vida completamente distinto do que estamos acostumados. Sendo assim, meu principal programa em Havana era andar até me perder o que, para mim, não é uma tarefa minimamente difícil, uma vez que eu sou capaz de me perder com um GPS me dando instruções precisas. Logo, com um mapa de papel (#vintage), por certo que eu me perdia o tempo todo e chegar em casa era uma benção diária. Na caminhada nossa de todo dia, sugiro passear pela área do porto, Plaza Vieja (era do ladinho da minha Casa Particular), Plaza de Armas, Malecón (bomba aos domingos e fica bem pertinho do Callejon de Hamel) e pelo Paseo del Prado

Agora, para citar o meu segundo programa favorito, eu diria que é o festival que acontece todos os domingos no Callejon de Hamel (começa por volta das 10h). A viela é uma galeria de arte ao céu aberto (isso você pode conferir em qualquer dia da semana), com apresentações musicais que dão arrepio e bons drinks e comidas nos barzinhos/restaurantes ao redor. Todavia, assim como acontece por toda Havana, há uma quantidade sem fim de cubanos querendo se fazer úteis para poder cobrar alguma coisa. Até acho que é a regra do jogo num lugar tão dependente do turismo, contudo, eles podem atingir níveis insustentáveis de insistência (não adianta dizer que não fala espanhol, pois eles são capazes de falar qualquer idioma).

Adicionalmente, eu também fui em três museus que valeram a pena: Museu Nacional de Belas Artes, Museu da Revolução e Memorial José Martí (localizado na Praça da Revolução, onde tem os murais de metal do Che e Camilo). Eu tive a sorte de ir neles com o filho da família que eu estava e foi muito único ter ele me explicando tudo aquilo do ponto de vista de um cubano. Eu me peguei pensando como história é ensinada para eles, isso porque o rapaz me falava das figuras históricas com uma proximidade, que mais pareciam conhecidos dele.

Caso esteja com tempo sobrando na cidade, sugiro também uma vista à Câmara Escura e ao Planetário (ficam localizados lado a lado na Plaza Vieja).

Quando eu fui (2016) o Capitólio estava em obra, mas li que no começo desse ano ele finalmente reabriu (após 8 anos) para visita do público.

Gastronomia

Um dos motivos que tornam a ilha tão famosa é o fato de Ernest Hemingway a ter chamado de casa por tanto tempo (inclusive, recomendo fortemente levar um livro dele para ler durante a viagem – ganhasse 10 pontos por pertinência temática).

Como se não bastasse, os bares que ele frequentava tornaram-se pontos turísticos. Sendo assim, a tradição diz que é fundamental tomar um daiquiri em Floridita e um mojito na Bodequita del Medio. Apesar de não ser entendida de alcóolicos, eu fui em ambos para evitar os sete anos de azar, mas, sendo bem sincera, não achei a bebida nada demais, a visita vale mais pelo apelo histórico.

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Na verdade, recomendo bem mais tomar uma Piña Colada no Hotel Nacional. O drink é bem gostoso e o ambiente é incrível.

Os lugares mais recomendados para se comer são os paladares que são tipo as Casas Particulares do mundo das comidas. Infelizmente, eu ia passeando e entrando em lugares para comer sem me atentar para nomes e endereços. Não vou dizer que, em regra, comi super bem em Cuba, na maioria das vezes achei apenas ok.

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Todavia, como em toda regra, há uma exceção. O pai da família que eu fiquei me recomendou um restaurante chamado Los Nardos e nesse sim eu comi SUPER bem. Ele fica bem em frente ao Capitólio num prédio que tem outros dois restaurantes. O Los Nardos sempre tem fila e os outros dois nem tanto, então, os garçons ficam tentando te convencer a ir para um dos outros dois. Meu conselho é: mantenha-se firme. O Los Nardos merece a espera. O ambiente gótico completa o charme.

Transporte

Minha dica principal é: ande ande ande ande, evite ao máximo pegar os conversíveis antigos e os bicitáxis. Na verdade, use uma vez cada um deles, é uma experiência divertida. Lembro de achar engraçadíssimo estar num desses conversíveis ouvindo Sorry do Bieber tocando no rádio, mas tente não tê-los como meio de transporte. Isso porque o preço é negociado na hora e, para qualquer distância, de saída, eles vão te cobrar 10 CUCs, o que é estupidamente caro, e andar por Havana é delicioso.

Contudo, a ida e vinda do aeroporto é inevitável ser de taxi. Caso você fique em uma Casa Particular, recomendo que peça para a família agitar isso. Quando eu cheguei em Havana, a minha tinha agendado um para mim, mas eu não consegui encontrar a pessoa e acabei tendo que pegar um aleatório, saiu bem mais caro.

 Li que também é possível pegar os ônibus hop-on/hop-off, mas não me lembro de ter visto nenhum, então, temos duas possibilidades (i) eu estava com a cabeça na lua e/ou (ii) isso é algo mais atual.

Como eu praticamente reescrevi o Velho Testamento aqui (me chama de apóstolo) de tanto que escrevi, creio que tenho que reconhecer que é chegado o momento de encerrar a parte 01.

Qualquer duvidazinha, favor escrever aqui e eu vou fazer o meu melhor para ajudar. Nos vemos em breve.

[postei tanta foto minha aqui que se o Ego ainda existisse ele poderia dizer “Juliana abre seu álbum de viagem com o público]

2 Replies to “Roteiro Cuba (parte 01)”

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